6.6.07

Da série MI BUENOS AIRES QUERIDO II

Pois é. E lá vamos nós de novo.

Minha viagem, aos poucos, começou a se ajeitar. Até pq a arrancada já teve momentos 'ninguém merece' suficientes! Só que claro, as coisas nunca são assim tãããããããããããããão simples...

Ao contrário do que dizem, a língua oficial em Buenos Aires não é o espanhol. É inglês!
Claro, pelo menos a língua oficial de albergues e museus. Nos museus as criaturas não faziam o mínimo esforço pra entender português. Cheguei a sair irritada do Malba, por exemplo. Chamar outro cara pra me tentar falar comigo em inglês pq o garçom não entendia o que eu falava, nem o que eu mostrava no menu foi foda. Pura má vontade. Mas tudo bem. Voltando ao albergue. Nessa viagem é que descobri como meu inglês tá ruim... deusulivre! Travei horrores pra falar! Claro, depois da terceira Stella de litro ele melhorava muito!!!!
No primeiro dia conheci uma galera da Inglaterra, da Noruega e da Austrália. Comecei a papear com eles lá pela terceira garrafa. Claro, muito timidamente. E óbvio que conforme tomávamos mais cerveja, mais segurança eu ganhava. No fim da noite eles já sabiam praticamente tudo sobre a minha vida! hehehehehehe Fora que já tinha ensinado todo mundo a falar 'bah!'!!! Foi engraçado ver o povo falando em inglês e colocando 'bah!' no meio das frases! O que não faz a bebedeira...

O problema era o dia seguinte. Eu encontrei esse povo de manhã e só disse bom dia. Não sentei com ninguém. Parecia que tinha esquecido tudo. Um desastre. Um deles até tentou papear comigo. Depois de tentar vários assuntos e eu dar respostas monossílabicas veio o comentário:
- Nossa, tu tava tão comunicativa ontem...
Nem respondi.

Como fui sozinha meus dias eram solitários. A marioria da gringaiada do albergue tava de turma ou com pelo menos mais um amigo/a. Eu cheguei sozinha e assim continuei. Buenos Aires é lindo, mas é uma cidade pra ir acompanhada: ou de amigas (tem muito lugar pra curtir, tomar uma ceva, ouvir música, ver gente), ou do namorado (cheguei a sonhar de sentar nos banquinhos de Puerto Madero com meu amor...). Sozinha é meio xarope. E eu sabia disso. E tinha que lutar contra a vontade de ficar só no albergue rateando, ou dando voltas na quadra. Peguei o mapa que a Daisoca me emprestou e comecei a destrinchar tudo que deveria ver. E saí a caminhar. Primeiro pelo centro e arredores, depois por San Telmo, depois por toda a Avenida 9 de julho...Só olhando as coisas, os nomes das ruas, as lojas, as livrarias, as pessoas... umas cinco horas de caminhada... quietinha... e uma pontinha de tristeza por estar sozinha.

Tem coisa que precisava de alguém do lado pra rir e comentar. Tipo, andar na Florida e escutar numa loja uma versão em espanhol praquela música: "Então requebra, requebra, requebra meu cumpadi"!!! O quadro da dor! Em português já é foda, em espanhol com uma mistura meio 'salseada', pior ainda!!!!! E não tinha ninguém pra rir comigo!!!! Hunff!!!!!

Sei que as cinco horinhas de caminhada me cansaram. Pra uma fumante sedentária... bah!!!!!
Voltei pro albergue. Dei uma bicada no boteco. Ia começar uma aula de salsa. Do povo que tava ali esperando, só tinha visto um. Era residente do meu quarto (depois descobri que o resto das gurias e guris tb). Não disse uma palavra. Permaneci me recuperando sentada no sofá. Mas a aula começou e vi que não ia passar vergonha. Fui bailar. O professor explicava tudo em inglês. E eu quieta. Entendia e fazia o que ele mandava. Como eu não tinha par, virei a partner do professor. Até que uma hora, depois duns 13 rodopios do merengue, ele pergunta de onde sou. Respondi que sou brasileira:
- Não podia ser de outro lugar
É...

Depois de cinco horas de caminhada, uma hora de aula de salsa e merengue... só uma Stella!!!!! Tomei minha cervejinha bem contente e depois fui dormir. Cedíssimo, umas 20h30. A noite começa tarde em Buenos Aires. Tarde mesmo. Pelas 2h. Achei que não seria má idéia dar uma descansadinha. Acordei mais de 1h. Resolvi dar uma olhadinha nos meus emails. Como tava sozinha, meu destino era meio certeiro: Maluco Beleza, o bar brasileiro. Achei que, pelo menos, acharia alguém que falasse português comigo. Mas assim que cheguei no terraço (o bar e os computadores ficam ali) os meus amigos gringos da noite passada já tavam mobilizados pra ir pra noite. E me convidaram pra ir junto. Eu ainda não tinha bebido e não sabia conversar... mas achei que era melhor que sair sozinha. Topei. Dessa vez a turma cresceu. Mas não sei de quem foi a idéia de ir ao 'reggae bar'... Só o holandês que tava junto tava se sentindo em casa.... era uma marofa de maconha... bah!
Só fiquei feliz no lugar qdo tocou Nativus (não é mais nativos, né? como chama agora??)... tava amando entender alguma coisa que o resto daquele povo não entendia, hehehehehehehehe E depois pensei: o que não faz estar longe de casa...

Continua...

1 comentário:

Fernanda Souza disse...

É estar sozinha é assim mesmo. Nunca passei por essa situação longe de casa, mas às vezes perto é pior ainda... como almoçar sozinha num restaurante, ir ao cinema sozinha sem ter com quem comentar o filme no final... Mas não dá para ficar em casa olhando para as paredes! hehe

No começo eu tinha um pouco de vergonha de hablar, mas vi que ninguém se esforçava mesmo para entender português e que por mais mal que eu hablasse eles me entendiam! O námor bancava o portenho e quem desconfiava achava que ele era de outro país latino que não o Brasil hehe Eu tomei mais vinho do que ceva, mas uma noite atravessei a Corrientes falando espanhol! hahaha foi muito engraçado!

Pelo menos no albergue tinha mais chance de fazer amigos :) embora tivesse que falar inglês hehe

Legal a aula!!! Eu queria ter ido numa de tango ou milonga :)